MEMORIAL DO INSTITUTO ESTADUAL
MATHILDE ZATAR
Este memorial tem a finalidade de marcar a trajetória do Instituto Estadual Mathilde Zatar, desde a sua fundação até os primeiros dez anos de sua existência.
Foi um caminho árduo, mas que contou com o empenho de diretores, professores, funcionários, pais e alunos para que os objetivos propostos fossem alcançados.
Conhecemos o potencial de um homem a partir da importância que ele dá aos seus antepassados, pois ninguém pode realizar-se plenamente se não valorizar suas origens.
Assim para conhecermos a história de minha escola é necessário sabermos como tudo começou.
Éramos algo desconhecido do “mundo civilizado”, até que aportou em nossas terras Pedro Álvares Cabral, homem europeu, que trouxe com ele seus hábitos, costumes e tradições.
Estabeleceu relações de convivência, nem sempre pacíficas, com os habitantes locais.
Com a chegada dos portugueses no nosso país, e devido as relações que eles tinham com os espanhóis surgiu a necessidade de povoar o sul, até então habitado somente por indígenas.
Vêm para o nosso Estado os açorianos e mais tarde, os imigrantes. Os primeiros imigrantes chegaram ao estado do Rio Grande do Sul em 24 de julho de 1824 e estabeleceram-se em São Leopoldo, então conhecida como Feitoria do Linho Cânhamo. De lá, eles espalharam-se pela região fundando vilas e colônias.
Neste mesmo dia, é instalada a Gran Loja de la República Bolivariana de Venezuela.
Foi assim, que surgiu a nossa comunidade, que a partir de uma colonização alemã, tornou-se cidade em 28 de fevereiro de 1955, denominando-se Sapiranga. Na Espanha são lançados os selos "General Franco".
Como escola é necessidade de todo o município, em 07 de setembro de 1956 foi construído pelo primeiro prefeito de Sapiranga, Edwin Kuwer, o Grupo Escolar Municipal São Luis, localizada na rua Presidente Kennedy, 1328 - Bairro São Luis / Sapiranga. Nesta mesma data, em São Paulo é fundada a Biblioteca Vila Romana ( futura Biblioteca juvenil Cecília Meireles).
Em 07 de fevereiro de 1957 a escola passou da administração municipal para a estadual, vindo então chamar-se Grupo Escolar nos Subúrbios de Sapiranga. No Haiti, Franck Sylvain assume a Presidência.
Somente em 06 de maio 1965, quando a escola passou por uma nova mudança, de acordo com o decreto nº 17287, que passou a chamar-se Grupo Escolar Mathilde Zatar. e, se a escola trocou de nome, neste dia, também, a OEA cria a Força Interamericana de Paz para atuar na República Dominicana.
O nome da escola foi escolhido em homenagem à Srtª Mathilde Zatar, uma renomada jornalista nascida em 28 de agosto de 1918 na cidade de Uruguaiana.
Mathilde Zatar, durante a sua vida, dedicou-se não só ao jornalismo, mas também às obras sociais. Dedicou-se principalmente aos assuntos relacionados com a educação.
No dia 07 de agosto de 1964, a jornalista faleceu no Rio de Janeiro aos 46 anos de idade, tendo sido sepultada na cidade onde morou e atuou vários anos, Porto Alegre. Neste dia o Congresso dos Estados Unidos aprova a Resolução do Golfo de Tonkin.
Foi somente em 31 de março de 1980, de acordo com a portaria nº 17269, que o grupo escolar passou a chamar-se Escola Estadual de 1º Grau Incompleto Mathilde Zatar.
Nos dez primeiros anos a escola foi administrada por quatro diretoras. Foram elas:
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1956 – Maria Eracema Martins.
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1957 – Teresinha Duro.
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1958 – Ana Carolina Fisch.
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1959 – Noeli Pestano Schweitzer (diretora até 1981). Esta senhora foi entrevistada por mim e relatou o seguinte:
* Trabalhou na escola do ano de 1960 até 1982. Neste período a escola era muito tranqüila, formada por um grupo muito atuante de professores. Recebiam apoio da família dos educandos e da comunidade do Bairro São Luis.
A princípio a escola era composta por três salas de aula, sala da direção e professores, uma cozinha, secretaria de dois banheiros.
À medida que a escola foi crescendo, o número de salas foi aumentando.
Sou professora neste educandário desde 03 de março de 1990. Tenho muito orgulho de fazer parte desta comunidade.
Entrevistei o senhor Pedro Mathias, que foi aluno da primeira turma da escola e sua professora foi a senhora Maria Eracema Martins.
Segundo seu relato, a disciplina era muito rígida e os alunos que não agissem de forma adequada eram colocados de joelho em cima de grãos de milho.
O senhor Pedro Mathias contou que em dias de chuva precisava vir para a escola de pés descalços e só depois de chegar, lavava os pés e calçava os chinelos.
Seus livros e cadernos eram trazidos em uma bolsa confeccionada por sua mãe com retalhos de tecido que possuíam em casa.
Entreviste também, a senhora Celita Alzira Ev, hoje com 51 anos de idade. Ela relatou que estudou na escola por cinco anos (1961 - 1967). Durante este período foi aluna das seguintes professoras:
* Diva;
* Wali;
* Sílvia;
* Noeli (que era também diretora);
* Ilda Bolk
No dia em dona Celita ingressou na escola o Senhor Adhemar Pereira de Barros assume a Prefeitura de São Paulo e, no dia em que acabou seus estudos neste educandário morreu o pintor espanhol Dionís Bennàssar.
Nesta época a escola funcionava somente até a 5ª série e era muito organizada. Nela havia o CPM (o pai da dona Celita foi presidente). Com o auxílio dos pais foi construído muro, comprados instrumentos para a implantação da banda, enfim os pais colaboravam para a manutenção e conservação da escola.
A merenda era feita por duas merendeiras e os ingredientes para a merenda eram doados pelos pais dos alunos.
Sobre as aulas, dona Celita relatou que os professores eram muito rígidos. O castigo era muito usado, Colocava-se os alunos atrás da porta, de joelhos em grãos de milho ou tampas de garrafas com os braços para cima). O aluno deveria sempre tratar os professores com muito respeito. Segundo ela, a aprendizagem era considerada boa, pois havia muita cobrança por parte dos pais.
Seguindo uma trajetória, notamos que ao longo dos dez primeiros anos a escola sofreu grandes modificações, não só mudanças de nome, mas os uniformes mudaram, mais alunos chegaram, as instalações foram ampliadas, os professores também aumentaram.
Tomo a liberdade, de finalizar este memorial com uma citação de Shakespeare: " A quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas também há quem garanta que nem todas, só as de verão. Mas no fundo isso não tem muita importância. O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre.Em todos os lugares, em todas as épocas do anos, dormindo ou acordado."
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